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Críticas a partir do CO

Avaliação crítica de Piaget

Piaget fornece ao CO uma base biológica, construtivista e autorregulada. A extensão à linguagem, aos afetos e às comunidades semióticas exige novos constructos.

O que o CO conserva de Piaget

O conhecimento constrói-se internamente, sem cópia nem receção passiva. O sujeito organiza a experiência através de esquemas, assimila, acomoda e procura novos equilíbrios.

A noção de esquema é mais rica do que a de conceito: ação, antecipação, inferência, coordenação e regulação oferecem uma alternativa orgânica às redes conceptuais mecanicistas.

Outro princípio conservado é a equilibração. O progresso compensa desequilíbrios: os esquemas enriquecem a assimilação, coordenam-se, diferenciam-se ou geram estruturas superiores pela reflexão.

Limite principal: o social não é apenas facilitador

Piaget reconhece a cooperação, mas desenvolve pouco o papel constitutivo do social: os exemplos de coordenação, consciência e abstração incidem sobretudo em objetos físicos.

Objetos naturais, artefactos, signos, normas, pessoas e comunidades científicas exigem esquemas diferentes. As trocas sociais não se reduzem à coordenação individual.

Um mundo culturalmente preparado de ferramentas e símbolos reduz algumas aprendizagens espontâneas e acelera aquisições culturais. As exigências sociais reorganizam a mente.

Esquemas intencionais

O sujeito interpreta desejos, enganos, ironias e intenções, para além de prever objetos inertes.

Esquemas emotivos

Toda a ação tem uma valência afetiva que orienta aproximação, evitamento, persistência ou bloqueio.

Reflexão semiótica

A linguagem permite refletir sobre o implícito, explicitá-lo e criar novos objetos cognitivos.

Alargar a equilibração ao espaço social

A regulação social não impõe significados. Cria tensões interiorizadas como necessidade de ajustar os significados pessoais aos da comunidade.

É aqui que surge o sistema semiótico-comunidade (S-C): as comunidades precisam de significantes comuns e os signos de pessoas que os interpretem. O saber social assenta em vínculos significado-significante suficientemente partilhados, sem uma mente coletiva externa.

Esta crítica interna e respeitosa amplia a rica abordagem individual de Piaget às pessoas, símbolos, normas, cultura, afetos e comunidades de significado.